sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Plano de Valorização do Café e política monetária: um olhar atrás para entender o intervencionismo do Governo na I República

O preço do café no cenário internacional sofre de movimentos cíclicos de elevação e baixa, e essa característica flutua também a economia brasileira. De meados de 1850 a 1889 o preço do café se manteve numa ascendência. É importante que nesse período o câmbio estava valorizado mesmo assim gerando receita e investimentos positivos. No período de 1889-1895, o preço do café ainda em alta, entretanto com o cambio desvalorizado (contribui para aumentar as exportações). É importante ressaltar que a política de investimento no cafezal permanece (esses dois períodos são cruciais para o aumento da produção, culminando com a queda do preço no período seguinte). A partir de 1898, a política monetária da I República se altera, passa a se valer de uma política monetária apertada e valorização cambial. O cenário desse período foi: cambio valorizado, preço do café baixo e então um quadro recessivo se instaura.
Desse ultimo cenário que se levanta a Convenção de Taubaté. Tal plano de valorização do café (PVC) – houve três planos 1906, 1917 e 1921 – em geral, se tratava de estocagem do café a fim de sustentar preço, ou seja, retirava parte da oferta, estocava para ofertar em um período a frente. Os pressupostos dos dessa política se fundamentavam no fato de ser o Brasil o maior produtor mundial, e no fato dos consumidores terem comportamento inelástico a preço (diminui preço as pessoas não compram mais). Ademais, acreditavam que problemas edafoclimáticos e obsolescência da planta levariam a redução da oferta – nesse ponto é importante ressaltar que o governo não acreditava nessa premissa, por isso arrocha as novas plantações com tarifas.
Na prática a implementação da política de valorização do café se dava com a estocagem no exterior juntamente com as casas de exportação. Como o grosso do lucro ficou com as casas de exportação, após a I Guerra Mundial a estocagem se dá dentro das fronteiras nacionais e, não raro, nas fazendas. Essa decisão brasileira gera um contencioso internacional (casa de exportação e Brasil), aquelas passam a se coligarem com a Colômbia gerando concorrência direta com o mercado brasileiro (situação ocorrida no II PVC).
Sobre o financiamento dos planos, o primeiro foi financiado com recurso externo, onde o pagamento se dava após a venda do café e o juro se pagava pelo aumento das exportações. No segundo plano o financiamento foi interno, no terceiro iniciou-se com financiamento interno e, depois, financiamento externo.  
A questão cambial para resolver as políticas de valorização do café é outra fonte importante da economia desse período, pois as entradas de recursos pressionam ainda mais a taxa de câmbio para baixo. Para resolver esse problema de queda constante da taxa cambial, o governo altera a política cambial, o câmbio passa a ser fixo. A vantagem de um câmbio fixo em uma economia agroexportadora é que mantinha a em moeda nacional a rentabilidade da cafeicultura e o nível de emprego. Em contrapartida gerava dois problemas: 1) a desvalorização cambial encarecia todos os produtos importados desta economia (socialização das perdas) e a desvalorização cambial “escondia” os sinais dados pelo mercado (tendência de superprodução do café).
Ou seja, o governo altera uma política monetária totalmente austera por uma política cambial que depende das reservas, portanto poder-se-ia aumentar a base monetária e/ou baixar a taxa de juros, dado balanço de pagamentos, formando então o “melhor dos mundos”. Entretanto, o melhor dos mundos se reverte um ano e meio antes do inicio da I GM: queda do mercado da borracha (25% para 0% da pauta de exportação), 1911 pagamento da dívida do primeiro funding loan em 1989, e o balanço que era positivo se reverte em 1913. Ora, dado o balanço de pagamentos negativo, a política monetária passa a ser restritiva. Essa reversão na economia brasileira do período altera as expectativas (decrescentes) dos agentes aplicadores, gerando uma expectativa da desvalorização cambial, o que culmina num processo de fuga de capital.

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